Pausa

Pausadamente passa o dia.
Um avião feliz sobrevoa a cidade
na direção de outra cidade…
Com toda serenidade,
filmo a firme intenção de chegar
dos passageiros desse vôo de abril…

Meu olhar repousa sobre o jardim.
Quanto maior a folha,
mais bonita para mim!
Gosto mais de generosidade do que de delicadeza…

Persigo uma azeitona com um palito,
só para ouvir seu desafio:
— “Ninguém me pega!”
Ela escorrega, mas eu pego!
Não vou comer a azeitona, acho-a salgada demais!
Sobretudo as pretas, só coloco no prato para enfeitar a comida.

Dos muitos jeitos de amar,
uns são mais corteses que outros,
mas todos são iguais quanto aos preparativos:
Gastam-se horas bordando o cabo da colher,
preparando um lanche, fiscalizando o relógio,
felicitando o espelho, repondo o perfume,
escondendo o ciúme…
O amor é muito cuidadoso,
muito criativo!…
O amor é um piloto automático que leva ao sétimo céu,
embora saiba que a volta à terra possa se dar em queda livre…
Mas do amor ninguém fala “Deus me livre”!…

Simétricas como torres brancas barrocas,
as loucas manobras das pessoas apaixonadas…

Euna Britto de Oliveira