Pedido de resgate

Cortinas velhas, finas, falhas,
Empoeiradas de cinza…
Faltam-me palavras.
Teus olhos, ilhas em que aporto
Toda vez que posso.
Depois, despedem-me…
Em alto-mar, fico à deriva…
Doida varrida, a nau me lança contra a primeira pedra.
Petrificada, espero…
Chega outra nau,
Conduz-me a águas rasas…
Arrasada, endireito o corpo.
Olhos perdidos são pedidos de um porto.
Suporto-me com todos os meus hormônios,
Vasos, veias, artérias…

Tenho uma reserva de luz!
Com ela, faço um pedido: – “Rescue!”
Faz-me falta o pássaro na grade da garagem de casa.
A esta hora, formaria o quadro perfeito para a foto!
Escrevo escravas palavras…
Escovo os dentes da boca da noite com cerdas duras,
Com franjas de alumínio e hipótese,
Com a prótese da ditadura!…
Toque de recolher!
Funeral de cancelas
Cancelamento de esperanças
Espaços vazios
Rios…
Não rio nem choro,
Sinto frio…


Nota:
“Rescue” – do Inglês = resgate

Euna Britto de Oliveira