— “Como a areia é boa pra desenhar, né, mãe?”
— É sim, filha.
— “Eu tou escrevendo.”
— Sim, filha.
Eu também tou:
Areia molhada, socada, pisada, marcada,
você vai ficar coruscante, brilhante e chutada!…
Depois, lavada, lavada,
levada…
Nessa praia de julho,
que o vento sul visitou.
Com essa água e o barulho
que o vento sul misturou.
— É sim, filha.
— “Eu tou escrevendo.”
— Sim, filha.
Eu também tou:
Areia molhada, socada, pisada, marcada,
você vai ficar coruscante, brilhante e chutada!…
Depois, lavada, lavada,
levada…
Nessa praia de julho,
que o vento sul visitou.
Com essa água e o barulho
que o vento sul misturou.
Tudo é vento sul!
Vento sul não é azul.
Vento sul é culpado, é agitado,
Afugenta os peixes, tira a palha das barracas!…
Quem fez casa na praia, o vento sul esfriou.
Hoje não tem muita concha,
não tem mesmo concha alguma,
porque o vento sul enterrou.
As conchas são cascas da vida,
que o mar enjeitou…
— “O que foi que eu escrevi, mãe?
Isso aqui é uma bola,
isso aqui é uma cadeira,
isso aqui, cê sabe,
isso aqui, cê sabe,
isso aqui, cê sabe,
isso aqui, cê sabe”:
OHRAIHP
— Você escreveu ORAI, filha!
E eu não escrevi nada…
Christiane, na praia, aos 3 anos de idade…
Euna e Christiane Britto de Oliveira ( Kika)
