Impede viagens, impede visitas, impede as vistas…
Mas libera o verde!
É a festa das plantas, que ganham roupa nova!…
Por detrás da chuva,
A uns cem metros de distância,
Aquele homem é quem?
O que traz nas mãos aquele homem?…
Daquelas árvores, só conheço a copa e a casca.
Arborizam o meio da avenida…
Não sei seu nome,
Não sei se dão frutos,
Nunca as vi floridas,
Mas têm o tronco chitado como o pelo de um dálmata
E isto me impressiona e agrada.
As árvores fugidas do paraíso encantam!
E a muitos fazem perder o juízo…
Seus frutos não são proibidos,
Mas são tão disputados!…
Quem é aquele homem?
Visto em vôo rasante,
Não se mostra bem.
Parece um vulto do além…
Já o caminhão à minha frente, à noite,
Era uma oração ambulante,
Com seus escritos sacros.
Por causa da sua oração de libertação,
Eu não queria perder de vista a traseira daquele caminhão…
Mantive-me próxima a ele o quanto pude.
Nos quebra-molas da avenida,
Quebrava minha fraqueza e minha insegurança…
No livro da vida,
A vez dos oprimidos serem libertados,
A voz dos esquecidos, enfim lembrados!…
Os mendigos dos quais São Vicente de Paula cuidava,
No século XVI, em Paris,
Furaram os séculos
E chegaram ao Brasil do Século XXI.
“Pobres, sempre tereis entre vós”.
Necessidades mudam de endereço,
Necessitados mudam de adereços.
Não sei o que fazer com o mundo,
Mas Deus sabe.
Quando eu quis saber o que seria de mim,
A certo momento,
Em determinada situação,
Deus foi desconversando…
Distraindo-me com outros assuntos…
Que até me esqueci de esperar a resposta
Que Ele ainda não podia me revelar…
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