Pra baixo e pra cima

A depressão sem verdade
Levou-me ao fundo da cisterna
Que cavei no infinito
Com os olhos…
Barulho de caminhão é tão sem educação,
Que acorda as crianças.
Aposto que os gentis caminhoneiros nem sabem
Que seus caminhões fazem isso!…
O carro cinza metálico parado na porta…
Há muito mais gente viva que morta.
Os sete sinos da felicidade,
Ainda quero adquirir!
A voz da minha madrasta é terapêutica,
Enche a casa de visitas.
Do meu lado, tenho a hermenêutica,
Encho a casa de solidão.
“ Em Atenas, não se fazia outra coisa
A não ser contar e ouvir novidades.”
Alguém viu, por aí,
Um menino louro de cabelo encaracolado,
Com um bracinho quebrado e engessado?…
O menino é meu.
O gesso, é certo que doeu!
O despeito da viúva
É por causa das uvas
Que outras consomem…
Ela diz que ainda estão
Verdes…

BH – Escrito em 1983
Transcrito em 8 de julho de 2006

arte de interpretar leis.

Euna Britto de Oliveira