Reivindicação

O meu eu antigo aflora e reivindica!
Hoje, não há atendimento no balcão do céu.
Embora esteja magra, embora esteja bela,
passam luas e sóis, nascem margaridas,
morrem girassóis…
As canas viram garapa
e lotes vagos enchem-se de casas…
Meus pais, que eram tão reais, volatilizaram-se…
Sobraram-me uns retratos, dentre os quais
aqueles que se encontram sobre o piano.
Pessoas falecidas são pessoas sumidas.
Como dói perder pessoas
e ter a certeza de nunca mais encontrá-las!…
Em endereço algum, em lugar nenhum elas estão…
Esse pensamento é faca no peito,
corro para servir
e redobradamente abraçar os vivos,
valorizando presenças.
Tolero até suas palavras duras,
mas, por favor, não morram!
Euna Britto de Oliveira