Retirante

Mor destino é o teu, nordestino de amor telúrico
e líricas retiradas!…

Delira o vento raro que te caça,
dentro do mormaço do sertão sem fim…
Ser tão quente assim é estado de graça!
A terra que contra o mundo te arroja,
alojas no coração.
Ave arribada para o frio, em tempo de inanição,
vigorosa e pertencida,
que buscas no sul?
Terras esquecidas ou pouco visitadas pelo sol,
essa fornalha que vê tudo do alto?!…
E com teu mesmo gosto,
e com teu mesmo gesto,
prefere não esquecer
de aquecer mais o lugar do coração,
o lado esquerdo do Brasil deitado?…
Sustido por resistidas praias,
céu colorido de arraias,
esparramados confins,
sertões…

Queres a terra requentada?
Serve-te.
Pisa,
deixa cair teu suor,
cultiva a terra de outros!…
Depois, prefere queimar a língua,
os pés,
a míngua
com o sempre tórrido que é teu,
de nascença!…

Estranho estrangeiro que migra no próprio corpo:
Volta!…
Pra ter mais sorte,
pega a passagem sem trem,
pra ter mais norte!
Vem!…

Ou fica aí mesmo,
onde estás agora.
Pode ser teu destino,
meu irmão nordestino!…
Pode até ser tua missão!
Afinal de contas,
o mundo é todo de Deus,
e dos filhos Seus!…
Não vamos nos estressar
por causa de umas mudanças.
O que importa é acender sol por onde quer que se vá!…
Em qualquer terra, em qualquer lugar,
o importante é amar,
é acender sol em gente!…
E amar você sabe!
Aprendeu com Deus.


Aos que, por algum motivo, deixaram a Terra Natal.
Escrito em 1978, em BH.

Euna Britto de Oliveira