Sem título

Até o retrato do fogo é bonito!
Um morro em chamas
Uma fogueira fagueira
Uma tocha acesa na escuridão
A dança do fogo nas chaminés das indústrias…

Há uma chama saindo de dentro de um Coração!
É assim que Alguém me chama…

A parede com fotos também é bonita:
Minha mãe, meu pai, meus irmãos…
E a penitência de uma ausência longa como as muralhas da China…
E a paciência que se aprende…
E não se ensina.

Até os pernilongos pertenciam à família,
Por causa deles, fazíamos cortinados…
Às vezes, regressão é coisa tão natural!
E pode fazer tanto bem
E pode fazer tanto mal!…

Na oficina de São José,
Ele devia trabalhar em pé!
Fazia bancos perfeitos,
Mesas e coisas do seu tempo…
Devia ter martelo ou o equivalente
E manejava bem seus instrumentos cortantes!…
Chegava Jesus
E brincava com pedacinhos de pau…
Devia ser assim.
Maiorzinho, até ajudava José a fazer os móveis,
As portas, as janelas…
Maria se orgulhava, de orgulho bom,
Vendo Jesus e José,
A Sagrada Família!…

Dizem que crescer faz doer.
Devo estar crescendo…
Sei que já sou mãe,
Mas continuo filha…

Euna Britto de Oliveira