Ou é a sorte que determina a cidade?
O que solapou minha mocidade?
Se eu morasse na praia, iria virar uma arraia?
Pergunto ao santo de Acaia…
Mesmo fanhosa ou parcimoniosa,
A música existe!
Cubanos fugidos de barco
Não foram além da primeira ilha…
Náufragos, o Padre Sardinha e eu,
E aquele outro que índio comeu…
Lugares antigos me contagiam,
Fico cheia de lembranças…
Depois do almoço, vou tomar banho de cachoeira,
Mas a fila do restaurante é grande,
Minha senha é número mil.
O vento me assanha o cabelo e as idéias…
Uma pedra pode ser um abrigo
Uma detalhe na paisagem
Um abismo!…
Os despenhadeiros me despencam!
As cavernas me amedrontam menos.
Toma, Ezequiel,
Ou tu comes o livro, ou dizes!…
Come! Ele tem gosto de mel!…
Ou então eu te condeno a morar na cidade
Onde puseram em um cão o bendito nome de um Anjo,
Terminado em el…
Para mim, tanto faz sândalo como escândalo,
As duas palavras são proparoxítonas.
Os troncos de todas as árvores,
Se fossem um só,
E os fios de cabelo de todas as cabeças
Que existem e já existiram,
Emendados
Um por um
Com um nó,
Até onde chegaríamos?…
“Setenta vezes sete” – eis a conta mais difícil que aprendi!…
BH – 1981
Euna Britto de Oliveira
