Só até ali!…

As palmas dos coqueiros a farfalhar
Acenam adeus sem parar!…
Um adeus verde e dilacerado…
A vida flui, passa…
Pede licença para azular a lembrança,
Azulejar a esperança
E edificar a sabedoria…
Se tiver de escolher entre dinheiro e amor,
Melhor escolher amor,
Porque dinheiro não compra tudo.

Devo ir à praia,
Meus dias no litoral são poucos.
A água do mar descansa cansaços da carne
E canseiras da alma…
Prosa e verso, até que esperam.
O mar, não.
Hoje, vou de verde.
Meus sentimentos são puros
E meus algozes são duros.
Coleciono conchas.
São ricas todas as praias.
Pinço a ostra dentro de sua casa
E cavo um buraco na areia
Onde escondo a pérola
Que ficará perdida para sempre…

Pedras caladas, coladas ao chão
Pontificam o ambiente.
Longe demais, as montanhas de Marte.
Tenho de me contentar com as da Terra.
Quer dizer, com algumas das montanhas da terra…
Quando o cérebro parar de funcionar,
Como se há de acionar a palavra?

Deus é Pai
E deixa o homem ir só até ali!
Se permitisse mais,
O homem quereria ser Deus!
Mesmo deixando ir só até ali,
“Uns pensam que já são Deus,
Outros têm absoluta certeza!…”

Euna Britto de Oliveira