O bebê soluça,
e não consigo fazê-lo parar!…
Sente frio o pobrezinho?
Vamos agasalhá-lo!…
Um pouco d’água fará parar?…
Um sinalzinho vermelho na testa
funciona como simpatia…
Um pequeno susto!
Também pode desprogramar…
Tudo que me ensinam eu faço,
e ele só pára quando tem de parar!
Minha casa está nua,
assim tão sem tapetes!
Eles me dariam alegria e alergia…
Negocio e renuncio.
Decoro a receita do médico:
Cortina?
—D’Ampezzo!!!…
Entre o orgulho e o egoísmo,
o orgulho me ameaça mais.
Não quero,
não posso ser orgulhosa,
o castigo do orgulho é duro!
Um dia,
vem o revertério,
a inversão dos papéis,
os que já foram servos
podem virar senhores,
e vice-versa!…
Também não quero,
não posso ser egoísta,
e isso aí já é mais fácil:
Minha natureza ajuda,
sou desapegada,
tenho mãos abertas,
sinto prazer em repartir,
gosto de distribuir…
Tenho Fé,
e quem tem Deus tem tudo!
Nada me fará falta,
nada me faltará!…
O castigo do egoísmo também é duro!
Mas terei eu o orgulho
de não ser egoísta?…
Terei eu o orgulho
de ser a que distribui
e não aquele que recebe?…
Então, não basta não-ser egoísta,
é preciso ser humilde!
Quem distribui é só instrumento,
é só canal do Grande Distribuidor!…
São tantas virtudes a praticar, a conquistar!…
São tantos sentimentos a equilibrar!…
Distantes, abafados,
próximos, direcionados,
ressentidos, irados…
Outros tipos de soluços,
que os adultos não param pra solucionar!
Uma freadinha no choro,
para poder continuar…
