eunapoesia

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Oxigênio

O oxigênio gratuito desse mês de julho tem o intuito de alimentar-me a vida, mas ao final me oxida, Socorro, antioxidantes!… Como mercadorias em fim de estação, liquido meus dias ao preço de ocasião e é de graça que me rendo à voz do coração. Tenho o meu lado formiga:…
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Ouro Preto

Ouro Preto e suas janelas, quantas vidas se esfregaram nelas… Não sei dos casamentos em suas igrejas, mas vejo noivas desfilando rumo a seus altares… Vestidos longos e brancos, véus e grinaldas, buquês, pajens e damas de honra e a sociedade em volta, com roupa de gala, brancos em bancos…
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Ordem de chamada da mãe gentil

A mão da pátria é mão de mãe?… Eu sei que tira os meninos da cama bem cedo, quando eles fazem 18 anos, e leva para os quartéis… Lá, sentem frio e solidão nas noites de guarda, e as armas são granadas, fuzis, não mais espingardas… Em vez de tênis,…
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Onde encontrei Deus

Em meio à magra pobreza? — Nem sempre. Por detrás do sofrimento? Por dentro da dor mais forte? Ao lado da fria morte? — Nem sempre. Naquele convento bento, cheio de freiras a rezar? Na casa abastada e boa? Na vida que flui tranqüila, sem grilos pra preocupar? — Nem…
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Obeliscos

Falo o pré-histórico: o homem da caverna corre atrás da caça e com lasca de pedra sangra a presa e corta-a. Alimentar-se é preciso! A fome é pré-histórica, o falo é pré-histórico. Obeliscos beliscam o infinito… Água de alambique amolece vontades… O belo e a verdade sempre foram oferecidos aos…
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O trem

Olha o trem da madrugada, que acorda meus sonhos com um apito e um corte e dá no meu peito um aperto forte! Passa depressa, trenzinho, e pára na fotografia que poderia até virar quadro, mas não foi tirada. Não tens mais existência, arrancaram teus trilhos e dormentes, teus chefes…
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O sonho vigiado

Na varanda dos séculos, espreito… O mundo é estreito para tanta pretensão! Há outro jeito de viver a não ser à beira do poema? O texto ainda sem trabalhar, o cesto sem se molhar, o sexto som de além-mar… Mar anjo do meu coração, marmanjo da seleção… Os perdidos no…
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O fio do prumo

O fio do prumo, Do prumo sujo de terra, Do prumo de toda construção!… Paciente, manipulado de cima, Exigente, humilde E impecavelmente vertical ! O fio do prumo de Minha própria “pensação”, Em que não me apoio, Mas me corrige e dirige!… Tênue fio de magistral equilíbrio, Que se prolonga…
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O corpo de Christiane

O corpo de Christiane é doce e nem a água do mar o consegue salgar. Mas é com esse corpo tão doce que ela consegue amargar. O corpo de Christiane é doce e não há quem o possa mudar. Mas é com esse corpo tão doce que ela consegue amar.…
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O barquinho

Vinho, marinho e branco, o pequeno barco de inesperada vela amarela, sossegadinho no mar, espera a vontade do homem para zarpar… Perto dele eu passo, a caminho de mim… Como as pessoas, pequenas ou grandes, as embarcações têm um nome. O nome desse barco? “Deus é Pai “. Um hábil…
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